Ferroviários italianos entraram em greve nesta sexta-feira contra
medidas do governo para abrir o setor de serviços públicos, inclusive de
trens e ônibus, e mudar normas de profissões para ampliar a
competitividade.Ônibus, trens e bondes tiveram seus serviços
interrompidos em várias cidades italianas. Uma manifestação em Roma
atraiu milhares de pessoas que protestavam contra mudanças que os
sindicatos temem que levem à redução dos direitos dos trabalhadores.
"Estamos
cansados desses contínuos programas governamentais que sempre atingem
os mais fracos, os aposentados e os trabalhadores, e não aqueles na
elite política ou aqueles com verdadeiro poder econômico na Itália",
disse o sindicalista Mauro Rustici, que protestava em Roma.
A
ofensiva do primeiro-ministro Mario Monti para reduzir o emaranhado de
regras que regula o setor de serviços da Itália também provocou
protestos dos taxistas e de outros grupos, como advogados e
farmacêuticos.
Seu pacote de medidas ainda exige aprovação
parlamentar. Segue-se a uma mescla de reduções de gastos e aumentos de
impostos, incluindo uma reforma do sistema previdenciário aprovada antes
do Natal e que pretende equilibrar o orçamento até 2013 e reduzir a
enorme dívida pública italiana.
As medidas de desregulamentação
aumentariam o número de farmacêuticos, mudariam o sistema que garante um
número limitado de licenças para táxis e aboliria taxas mínimas para os
advogados.
Elas também buscam abrir a indústria do transporte
ferroviário para a competição privada e permitir que os novos operadores
adotem contratos trabalhistas que não têm as mesmas proteções que os
oferecidos pelas ferrovias estatais.
Além disso, o governo também
busca rever as regras do mercado de trabalho para introduzir mais
flexibilidade e aumentar as oportunidades para os jovens.
O
governo de Monti rejeitou temores de que os protestos possam tirá-lo do
curso e acredita que as mudanças têm amplo apoio da população em geral,
que lucrará com preços menores e mais competição.
"A ideia de que a
desregulamentação é um sacrifício é errada. A desregulamentação é uma
oportunidade", disse o subsecretário de gabinete, Antonio Catricala, à
Reuters em entrevista.
Os protestos foram relativamente contidos e a popularidade do governo parece estar se mantendo nas pesquisas de opinião.
As
objeções às controversas medidas foram acentuadas pela crescente
pressão sobre as rendas familiares, com a Itália seguindo para o que
muitos preveem como uma grave recessão em 2012.
Dados da agência
nacional de estatísticas Istat, divulgados nesta semana, mostraram que a
diferença entre a inflação de preço ao consumidor e o aumento salarial é
a maior desde agosto de 1995.
Bloqueios de caminhoneiros nesta
semana, protestando contra a alta dos combustíveis, provocaram graves
interrupções a empresas como Fiat e Coca Cola , e esvaziaram as
prateleiras em muitos supermercados.
Fonte: MSN